sábado, 23 de outubro de 2010

"Como um corte profundo, tudo chegou a minha alma de forma destrutiva. E nada seria mais encorajador do que encarar a morte, assistir com gritos eufóricos tudo ir embora, e dar lugar a um vazio anti-sentimentalista. E por mais que atrás de mim estivessem milhões me puxando, nada seria melhor do que ir atrás de um, embora um abismo nos separasse. E quer saber, eu realmente estava preparada pra sentir a dor, a dor de ser tomada de mim mesma por uma causa maior, talvez sem menor noção de intensidade. Era sempre assim, vinha a alegria e há quem chegasse a pensar que ela ficaria por perto eternamente, mas coitada, era sempre levada embora e trancafiada em algum lugar no infinito, naquele que eu não podia enxergar. E logo vinha a dor, era como uma espécie de anestesia, para me fazer esquecer as demais coisas. E qualquer coisa era melhor do que o vazio, então eu adotei a dor como minha amiga. Minha melhor amiga, a qual nunca me abandonará, não importa o quanto a alegria viesse para perto de mim, a dor estaria ao meu lado, todas as horas"

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